A Batalha de Lagos


«A Guerra dos 7 Anos, entre 1756 e 1763, constituiu um marco na história europeia moderna e modelou a fisionomia das nações ocidentais, sendo considerada o ponto de viragem para o início da Era Moderna. Este conflito, que envolveu a Inglaterra e a França, prendia-se com o controlo comercial e marítimo das colónias europeias nas Índias Orientais e na América do Norte. A Inglaterra ocupou a ilha de Minorca, possessão francesa no Mediterrâneo, e foi este acontecimento que conduziu a uma tentativa de reunir as frotas navais francesas dispersas, para invadir a Inglaterra, culminando na batalha naval entre estas potências ao largo de Lagos, em 19 de Agosto de 1759.

Toda a história que Lagos encerra nos seus mares merece ser redescoberta, e por isso, no dia em que se assinalam os 250 anos desta batalha decisiva, convidamo-lo a vir mergulhar na História, assistindo às conferências de três eminentes especialistas em história e arqueologia náutica e subaquática!»

maqueta do navio L'Ocean
Batalha de Lagos faz 250 Anos (18/19 Agosto de 1759)

A “Batalha de Lagos” enquadra-se na Guerra dos Sete Anos, um conjunto de conflitos internacionais decorridos entre 1756 e 1763, envolvendo, de um lado, a França, a Áustria e seus aliados (Saxónia, Rússia, Suécia e Espanha), e do outro a Inglaterra, Portugal, a Prússia e Hannover. Vários factores desencadearam a guerra: a preocupação das potências europeias com o crescente poderio de Frederico II, o Grande, Rei da Prússia; as disputas entre esta e a Áustria pela posse da Silésia, e a disputa entre a Grã-Bretanha e a França pelo controle comercial e marítimo das colónias além-mar, nomeadamente as da América do Norte. Foi o primeiro conflito de carácter mundial, e o seu resultado é muitas vezes apontado como inaugurador da era moderna.
Na noite de 7 de Agosto de 1759, em pleno período de bloqueio dos portos franceses pela marinha britânica, uma esquadra de 15 navios comandada por La Clue zarpa do porto de Toulon. Tenciona alcançar o Atlântico e reforçar a armada proveniente de Brest, comandada pelo vice-almirante de Conflans, com a finalidade de atacar a Grã-Bretanha, desembarcando na Escócia. A navegação é feita ao longo da costa africana procurando evitar a detecção dos ingleses. Porém, na manhã de 17 de Agosto, ao largo de Ceuta, uma fragata inglesa avista a esquadra francesa e imediatamente leva o aviso à força estacionada em Gibraltar que, no mesmo dia, pelas 22h00, se faz ao mar.
Na manhã de 18 de Agosto, a esquadra inglesa, sob o comando de Edward Boscawen, avista as primeiras velas mas, já não é a totalidade da armada francesa pois durante a noite cinco dos seus navios de linha e três fragatas perderam o contacto com o grosso da esquadra e afastaram-se, demandando Cadiz. Os outros sete navios, que entretanto aguardavam a possibilidade de reagrupar a esquadra julgaram, erradamente, que as velas que se aproximavam eram os retardatários da sua frota. Pelas 9h30 Boscawen ordena aos seus navios a perseguição e ataque às velas francesas. Poucas horas depois as esquadras iniciam um combate que se prolongará por todo o dia, com aproximações e afastamentos ditados pelas condições do vento. Pelas 16h30 o Centaur rende-se, bastante danificado, tendo perdido o comandante e cerca de 200 homens. Do confronto resultam estragos de monta no navio-almirante inglês que obrigam Boscawen a transferir-se para do Namur para o Newark. A perseguição aos navios franceses continua durante a noite embora o Souverin e o Guerrier a tenham aproveitado para escapar, rumando a Oeste.
Ao nascer do Sol do dia 19, com a esquadra reduzida a quatro navios, os franceses decidem colocar-se ao abrigo das fortalezas do barlavento algarvio, sob a neutralidade das águas portuguesas. Inutilmente. O Modeste é apresado em Sagres e o Teméraire na Figueira, enquanto que o navio-almirante Océan, e o Redoutáble, varados respectivamente na Salema e no Zavial, para salvar a tripulação, são violentamente bombardeados. La Clue e muitos dos seus homens abandonam o navio e, pouco depois, uma embarcação do América recolhe o comandante de Carne e o resto da tripulação. O navio, considerado irrecuperável, é incendiado pelos ingleses, tendo assim o mesmo destino do Redoutáble. La Clue, gravemente ferido no combate, viria a falecer em Lagos.
Com este desaire, o sonho da França de uma invasão do território britânico, fica seriamente comprometido.
Este episódio da Guerra dos Sete Anos, ocorrido menos de 4 anos após o catastrófico terramoto que assolara o reino, ficou conhecido como “Batalha de Lagos” e motivou um veemente protesto do governo de Sua Majestade D. José I, junto da Inglaterra, redigido pelo punho do Conde de Oeiras, futuro Marquês de Pombal. A importância do evento determinou que Lagos ficasse relacionada com esta batalha e assim registada nos livros de História.

Lista dos navios envolvidos: nome/nº canhões
Esquadra inglesa: Namur 90 (navio-almirante), Prince 90, Newark 80, Warspite 74, Culloden 74, Conqueror 70, Swiftsure 70, Edgar 64, St Albans 64, Intrepid 60, America 60, Princess Louisa 60, Jersey 60, Guernsey 50, Portland 50, Ambuscade 40, Rainbow 40, Shannon 36, Active 36, le Thetis 32, Lyme 24, Gibraltar 24, Glasgow 24, Sheerness 24, Tartar’s Prize 24, Favourite 16, Gramont 16, Aetna 8, e Salamander 8.
Esquadra francesa: Océan 80 (navio-almirante), Téméraire 74, Modeste 64, Redoubtable 74, Souverain 74, Guerrier 74, Centaure 74.

Obras consultadas:
Allen, Joseph. Battles of the British Navy, Vol. I, p. 199 a 201, London 1852.
Beatson, Robert. Naval and Military Memoirs of Great Britain, vol. II, p. 315 a 318, London 1804.
Cunat, Charles Marie. L’Histoire du balli de Suffren, p. 28 a 31, Rennes 1852.
Guérin, Léon. Histoire Maritime de la France, Vol IV, p. 367 a 371, Paris 1851.
Hervey, Frederick. The Naval History of Great Britain, vol. V, Livro VII (gravura p. 230), London 1779.
Schomberg, Isaac. Naval Chronology of Naval and Maritime Events, Vol I, p. 332 – 333, London 1802.
(publicado na Agenda 5entidos de Agosto)


Nora interessante aqui

5 comentários:

Vieira Calado disse...

O Buraco Negro.

Há disso, na nossa Economia.

O Despachadinho vendia um sucedâneo inofensivo.

Mas mesmo 1/5 Kilo de buraco negro ainda é um buraco negro, segundo a descoberta de Schwarchild.
E o buraco negro devora tudo à sua volta.

O meu amigo, lamento, seria engolido por ele, como nós estamos a ser engolidos pelo buraco negro que os políticos fabricaram...

Um abraço

FJMB disse...

Interessante texto.
Gostaria que a conferência abordasse isso mesmo: a importância da Batalha de Lagos (Segunda Batalha de Lagos) no desfecho das hostilidades e de que forma as relações entre Portugal e França foram afectadas.
Claro que é apenas uma palestra com três conferencistas, mas o tema é rico o suficiente para que se pudesse desenvolver em algo mais. Parabéns pela iniciativa.

francisco disse...

Como disse no Blogue Lagos seria interessante ouvir a opinião dos investigadores acerca da hipotética "deserção" de metade da esquadra francesa, antes e durante a batalha.

Luis Nadkarni disse...

Olá Francisco!
Não se trata própriamente da Batalha de Lagos mas há um "artista" em Lagos que me tentou "fazer a folha"...
Como sabes estava a trabalhar num barco em Vilamoura, cujo skipper é de Lagos, gajo da vela?...
Esse rendimento que ganhava era muito importante para mim.
O "artista" sem me avisar arranjou outro marinheiro e pensa ele que me deixou a "nadar"...enganou-se!
Abraço
Luís
Faro Algarve

francisco disse...

Caro Luís, quem anda no mar encontra sempre escolhos à deriva.
Não conheço muito bem essa malta. O meu círculo de amigos de gente do mar é muito restrito.

Saúde.