O Olho de Hórus nas decorações dos barcos de pesca



Digo que, perdida ou mal interpretada a simbologia das decorações nos barcos de pesca, a estrelinha desenhada na cara do barco é uma repetição do símbolo "olho de hórus" que já está estilizado acima pelos dois triângulos (brancos) e círculo (vermelho) ao centro.

O Olho de Hórus, “udjat”, proveniente da cultura pré-clássica egípcia espalha-se por todo o mediterrâneo, chegando até aos confins da Península Ibérica, já em contexto geográfico atlântico, por via dos fenícios que o haviam adoptado com semelhante significado: representando valores importantes como força, coragem, protecção e saúde.
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«Já desde tempos imemoriais (existem vestígios, na civilização egípcia) que o barco é considerado um ser vivo, um ente anímico e, como tal, com determinadas tradições, assim tratado. Durante a própria construção, em certas zonas do país, sobretudo nortenhas, ainda se usam determinados sinais protectores, para que esta corra sem incidentes, protegida de maus-olhados ou malquerenças. (…) Os pescadores do centro e sul do país chamam cara do barco à zona da proa, de um e outro lado do casco, zona, normalmente destacada por pintura a cor diferente e guarnecida, tantas vezes, com a imagem de olhos. O barco com olhos veria melhor o caminho, em dias de nevoeiro e encontraria mais facilmente os bons pesqueiros? (…). O significado dos olhos, ainda que estes, no imediato, com feição mais restrita de amuletos contra o mau-olhado, não pode dissociar-se da sacralização do barco pela sua consagração a uma divindade. Do antigo Egipto, adoptaram-no os fenícios, os gregos, os romanos e, assim por diante, até os portugueses, em cujas embarcações o encontramos ainda.» in http://marintimidades.blogspot.com/2010/03/signos-pictoricos-nos-barcos-i.html




Presumo que esta representação pró-antropomórfica do Olho de Hórus conheceu uma evolução estilizada pela mão dos árabes, a partir do estabelecimento do Islão, já que esta religião proíbe a representação antropomórfica das divindades. Aceitando essa hipótese, não parece descabido que tenham adoptado o símbolo como “olho de Alá” fazendo-o representar através de figuras geométricas que consistiriam, basicamente, num círculo ladeado por dois triângulos.





O símbolo apotropaico aposto nas proas dos barcos de pesca irá, assim, manter-se, e até repetir-se, nos casos em que surge simultaneamente estilizado por geometrismos e pela representação pró-antropomórfica, comummente com a primeira representação mais acima, perto da borda e a segunda mais abaixo, na cara do barco; ou quando se repete exclusivamente com recurso aos motivos geométricos (losangos em cima, estrela em baixo)





Intuo também que essa estilização conheceu novas evoluções, para estrelas, estrelas dentro de círculos, losangos, flores, olhos de peixe, sempre apostos à proa, a par de ganhar também novos significados religiosos ou pagãos. Assumpção que, no entanto, carece de investigação que a confirme.








Afigurando-se, hoje, a sua aplicação mais como simples motivos decorativos e até folclóricos, o facto é que estes símbolos mantém intactas as suas formas e algum do seu simbolismo apotropaico inicial: Protecção contra o mau-olhado e a má sorte; protecção no regresso a bom porto; guia para bons pesqueiros; etc.


Muleta do Seixal

«A nau “Frol de la Mar”, de Estevão da Gama, da rota da Índia em 1502, a mesma nau onde Afonso de Albuquerque viria a naufragar quando regressava da conquista de Malaca, era “alterosa em castelos e a mais formidável”, segundo consta do “Livro das Armadas”. Embora o desconhecido autor desse códice se movesse dentro da órbita dos iluminadores e portulanos das cartas de marear da época – as reproduções dos navios eram decalcadas sobre uma escassa dezena de modelos, modificando-se-lhe apenas os nomes  -  verifica-se no entanto haver em uma das reproduções da “Flor do Mar” dois olhos abertos  e pintados nas obras mortas em cada um dos costados do castelo da proa. Ora este símbolo apotropaico, apesar da sua vulgaridade figurativa – não consta em outras gravuras ou desenhos conhecidos das naus e caravelas portuguesas dos séc. XV e XVI, mas aparece ainda hoje frequentemente em identica composição e disposição nos barcos de pesca da nossa orla maritima e na rede fluvial, tanto nos saveiros da Costa Nova (Ílhavo), como em Sines, tanto nos caíques da Costa da Caparica, da Nazaré e do Garbe lusitano, como nas fragatas, faluas e varinas do Tejo.»
Jorge Filgueiras, Lisboa, aos 14 de Fevereiro de 1977.

Nau Frol de la Mar



ADASTRA em Lagos


Propriedade de um casal de milionários, o impressionante iate ADASTRA, desenhado pelo inglês John Shuttleworth, custou 15 milhões de libras. Pode ser totalmente controlado por iPad até 50 metros de distância. Foi lançado ao mar, na China, em 11 de Abril de 2012. Resultado de uma atenção meticulosa aos detalhes aliados a um design inovador para criar um iate que responda às necessidades de viajantes oceânicos, reúne conforto e estilo fora do vulgar num iate desta classe e tamanho. Nenhum esforço foi poupado no desafio de produzir um belo iate com um consumo de combustível excepcionalmente baixo. Em 2013, este iate já tinha percorrido mais de 40.000 milhas, resistindo a ventos de 50 nós e atravessado os oceanos Pacífico e Atlântico. Comprimento:  42,5 m. Largura: 16m. Peso 52 Ton. Velocidade de Cruzeiro, entre 10 e 14 nós. Velocidade máxima de 22 nós.


Aspectos do ADASTRA na Meia Praia (Lagos) em 2018.05.31



ADASTRA na Baía de Lagos em 2018.06.01


No país em que tudo arde...



No país em que tudo arde as perspectivas não são boas, com esta campanha petrolífera. A possibilidade do Algarve sair directamente lesado desta aventura assaz irresponsável, é enorme, e o problema de incêndios acidentais nas plataformas nem é o mais expressivo. A proliferação de falhas geológicas aliada à dinâmica natural das placas constitui um risco muito sério. E face às evidências e à forte dependência do turismo de Sol e Praia, esta problemática não pode ser abordada com facilitismos administrativos.
Há assuntos que pela sua gravidade deviam ser tratados de forma muito séria, com informação e explicação à população dos prós e contras, das fragilidades e dos riscos envolvidos e, consequentemente, com realização de um referendo. O espírito da Democracia não se coaduna com decisões tomadas pelos eleitos no secretismo dos gabinetes, quando as consequências dos seus actos (dos quais nunca são responsabilizados), afectam o todo nacional, e por mais de uma geração.
Mas é o que temos, um fraco povo e medíocres dirigentes.

Exemplos do que não gostaríamos de ver na costa portuguesa, mas que não poderemos garantir que não aconteça:








o aspirador flutuante




O "aspirador"que suga lixo, óleo e outros detritos flutuantes nos cursos de água, marinas e ao longo das costas.





Amigos do Ambiente?

um dos muitos gatos residentes no molhe da Meia Praia em 2018.05.05


Cuidado, “amigos dos animais” nem sempre é sinónimo de “amigos do ambiente”.

Basta dar uma volta pelo molhe de Lagos para perceber como os” amigos dos gatos” contribuem para o emporcalhamento daquela área, que devem considerar como terra-de-ninguém. Compreendo a premência em prover alimentos aos felinos residentes mas é criticável a proliferação de recipientes de plástico e alumínio, ali abandonados.
Para além de uma “aldeia dos gatos” ali implantada há anos, agora começam a surgir ao longo do molhe “vivendas” para os ditos felinos, provavelmente para estes poderem gozar uma vista mais exclusiva?!
Não critico o espírito proteccionista que move tantas pessoas em relação àqueles animais, mas critico a forma voluntarista e anárquica que vai tendo.

recipientes que facilmente irão parar ao mar
recipientes que facilmente irão parar ao mar
recipientes que facilmente irão parar ao mar, perto de uma caixa de alimentação

caixa de alimentação que constitui um novo ponto de fixação dos gatos


"aldeia dos gatos" à entrada do molhe


Salpas na Meia Praia

Salpas, Meia Praia 2018.05.01

«Organismos da família Salpidae, conhecidos como salpas. São tunicados e, apesar de contrariamente às medusas pertencerem ao filo Chordata, são considerados invertebrados e organismos gelatinosos. Podem ocorrer como organismos individuais ou em longas cadeias.»
info: Equipa GelAvista







foto: wikipédia



John Harrison


John Harrison
Foulby  3 de Abril de 1693 – Londres 24 de Março de 1776


John Harrison foi um relojoeiro inglês, responsável pela invenção e construção do primeiro relógio marítimo de alta precisão, a partir de um protótipo também da sua autoria, que determinava precisamente a longitude durante as viagens marítimas de longa distância.

Harrison's marine timekeeper H1


Vigiando os mares a partir do céu

Drone da EMSA operando a partir do aeródromo de Lagos.

EMSA, European Maritime Safety Agency (Agência Europeia de Segurança Marítima) tem sede em Lisboa.

«A constituição desta entidade fundamentou-se nos graves danos causados pelos naufrágios dos navios Erika em 1999 e Prestige em 2002, que levaram as autoridades a ponderar criar uma autoridade europeia apta para apoio técnico e científico à Comissão Europeia e aos estados membros, no desenvolvimento e implantação de legislação da UE nos domínios da segurança marítima, poluição dos mares por embarcações e segurança a bordo dos navios.»

Para saber mais:
http://www.emsa.europa.eu/ssn-main.html

morte lenta


Ei-lo abandonado
Jazendo encalhado
Outrora navegante
Do nosso mar gigante

Jazz aqui adornado
Em lagoa pequena
Desta forma deitado
Que triste é, que pena.




Medusas na Meia Praia

Rhizostoma luteum na Meia Praia em 2017.10.07 às 11:45
 id. proveniente de https://www.facebook.com/GelAvista-1040242599378331/




bocado de Rhizostoma luteum dentro de água em 2017.10.07 às 11:15

Medusa Chrysaora hysoscella fotografada na Meia Praia em 2017.06.07 às 10:11

Medusa Chrysaora hysoscella fotografada na Meia Praia em 2017.06.07 às 10:11

Medusa Chrysaora hysoscella fotografada na Meia Praia em 2017.06.07 às 10:11

Medusa fotografada na Meia Praia em 2017.06.25 às 18:39
«As alforrecas, medusas ou mães d’água existem há mais de 650 milhões de anos, há mais tempo que os dinossauros. Não têm ossos, cérebro ou coração, têm apenas um sistema nervoso rudimentar na base dos tentáculos que sente mudanças no ambiente e coordena os seus movimentos.
Quando atingem uma praia, em poucas horas as alforrecas literalmente evaporam, deixando apenas a pele, que às vezes encontramos no verão. Isto acontece porque são formadas por 98% de água!
As alforrecas são zooplâncton, ou seja animais aquáticos que vivem dispersos no oceano com pouca capacidade de locomoção, são basicamente arrastados pelas correntes.
Muitas alforrecas têm órgãos bioluminescentes, ou seja podem emitir luz. Esta luz pode ajudá-las de várias maneiras, como atrair presas ou distrair predadores.
Segundo os especialistas, as medusas das águas de Portugal Continental, Mediterrâneo, Madeira e Açores são pouco perigosas. Das espécies que aparecem na costa portuguesa a mais perigosa é provavelmente a Pelagia noctiluca (caracterizada por se tornar luminescente quando se sente ameaçada) e a Caravela-portuguesa (apesar das parecenças não é uma alforreca) que, contudo, é relativamente rara nos nossos mares.»