Náutica de Recreio



Foi publicado o decreto-lei que cria o novo regime jurídico da Náutica de Recreio
• Simplifica e moderniza os procedimentos de certificação e registo das embarcações.
• Elimina as vistorias de registo de embarcações de recreio novas e prevê ainda a possibilidade de as vistorias a seco serem substituídas por vistorias subaquáticas.
• Introduz a emissão de livrete electrónico.
• Deixa de ser exigida a obtenção prévia de carta imediatamente inferior para a obtenção de carta de Patrão de Costa e Patrão de Alto Mar e procede-se à extensão do prazo de validade de todas as cartas de navegador de recreio, tornando-se a renovação obrigatória apenas aos 70 anos.
Foi publicado ontem, dia 13 de Novembro, o Decreto-Lei n.º 93/2018 que cria o novo regime jurídico da Náutica de Recreio. Desta forma, a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, dá mais um importante passo na concretização do mar como um desígnio nacional, nomeadamente numa área – a náutica de recreio – que tem registado grande dinamismo, tornando necessária a alteração do actual quadro jurídico da actividade – que estava até aqui enquadrada no Regulamento da Náutica de Recreio aprovado em 2004.
Este novo regime jurídico da Náutica de Recreio concretiza, na parte relativa às embarcações e aos navegadores de recreio, as regras estabelecidas no decreto-lei que cria e regulamenta o Sistema Nacional de Embarcações e Marítimos, dando resposta aos desenvolvimentos regulamentares e tecnológicos verificados na área da tramitação electrónica. O novo Decreto-Lei procede assim à simplificação e modernização dos procedimentos de certificação e registo das embarcações.
Por outro lado, elimina também as vistorias de registo de embarcações de recreio novas e prevê ainda a possibilidade de as vistorias a seco serem substituídas por vistorias subaquáticas, permitindo reduzir fortemente o custo para os seus proprietários. Essas vistorias passam também a poder ser realizadas por entidades públicas e privadas, sob determinadas condições.
No Decreto-Lei n.º 93/2018 é ainda introduzida a emissão de livrete electrónico, ao qual podem estar associados todos os documentos exigidos a bordo.

De realçar ainda que, no que respeita às cartas de navegador de recreio, deixa de ser exigida a obtenção prévia de carta imediatamente inferior para a obtenção de carta de Patrão de Costa e Patrão de Alto Mar e procede-se à extensão do prazo de validade de todas as cartas de navegador de recreio, tornando-se a renovação obrigatória apenas aos 70 anos.

Cais da Solaria, uma vergonha em Lagos

Cais da Solaria em 2011.02.20


Uma vergonha, este Edital.

Já deviam era ter reparado as avarias do cais. Ao fim de 14 meses, o edital já não deveria fazer sentido; se é que alguma vez fez. Porque se o assunto é a degradação das escadas porquê a proibição da circulação de viaturas e pessoas sobre o cais? E se a ideia é proibir o trânsito, inclusive pedonal, que sentido faz afixar o edital no término do percurso proibido, na parede da casinha do antigo marégrafo?! Em todo o caso, gritante, é o claro abandono a que o cais foi votado pelas sucessivas tutelas.

Será que não percebem que para além do seu uso náutico/marítimo, que hoje até pode ser algo dispensável, o cais da Solaria, em funcionamento há 110 anos*, é um ex-libris da cidade, um interface da urbe com o mar, e que o seu percurso pedonal, complementa e remata o passeio ribeirinho que se faz ao longo da avenida?!

É evidente que a Doca Pesca não é interlocutor credível para tratar dos assuntos como docas, ancoradouros, barra, cais, molhes, etc. E o famoso instituto que antecedeu a Doca Pesca, bem como o seu progenitor JAPBA idem, aspas, aspas. Estes pequenos e ordinários estados dentro do Estado, compostos por gente nomeada, de proveniência e aptidões singulares, irregulares e, nas mais das vezes, inadequadas, representam os sucedâneos do Estado Corporativista que fomos em tempos mas, então, assumidamente, e não encapotadamente como hoje parece uso.

Só existe uma tutela local legítima, porque foi eleita e responde perante a população pelos seus actos de administração do território; é o Município. E o conjunto Câmara e Assembleia Municipal deviam receber todas as competências que por aí pontificam espalhadas por uma miríade de entidades sinistras e sinuosas; indecências inventadas e constantemente reinventadas para alojar pretendentes, dependentes e outros carentes e subservientes da máquina kafkiana que é o Estado na actualidade.
  
*As obras da estrutura inicial foram concluídas em 1908, e a ampliação em 1964.


Cais da Solaria - há mais de uma década ao abandono

Já voam pela baía

GC32 é uma classe de catamarans hidrofoil construídos em fibra de carbono. Têm 32 pés de comprimento (12 metros) e atingem uma velocidade máxima de aprox. 40 nós; performance que os coloca na Extreme Sailing Series. Lagos recebe por estes dias a presença destes velozes veleiros que disputam provas da Great Cup BV Racing Tour na magnífica baía desta cidade algarvia, entre os dias 28 de Junho e 1 de Julho.

Fotos: preparação das equipas e dos veleiros, 2018.06.25















By GC32 International Class Association - https://gc32.org/, CC BY-SA 4.0
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=69362228




À vela sobre o mar a 120 Km/hora

O recorde de velocidade em navegação à vela foi estabelecido em 12 de Novembro de 2012, na Baía de Walvis (Namíbia) pelo velejador australiano Paul Larsen no Vestas Sailrocket 2. O velejador conseguiu atingir 65,45 nós.


image from: www.sailrocket.com


mais em:
https://www.motor24.pt/motores/barcos-avioes/veleiro-tao-rapido-seria-multado-excesso-velocidade-na-auto-estrada/

O Olho de Hórus nas decorações dos barcos de pesca

foto esquemática reeditada em 2018.08.25 - a substituir futuramente por grafismo mais explicativo


Digo que, perdida ou mal interpretada a simbologia das decorações nos barcos de pesca, a estrelinha desenhada na cara do barco é uma repetição do símbolo "olho de hórus" que já está estilizado acima pelos dois triângulos (brancos) e círculo (vermelho) ao centro.

O Olho de Hórus, “udjat”, proveniente da cultura pré-clássica egípcia espalha-se por todo o mediterrâneo, chegando até aos confins da Península Ibérica, já em contexto geográfico atlântico, por via dos fenícios que o haviam adoptado com semelhante significado: representando valores importantes como força, coragem, protecção e saúde.
Resultado de imagem para udjat
«Já desde tempos imemoriais (existem vestígios, na civilização egípcia) que o barco é considerado um ser vivo, um ente anímico e, como tal, com determinadas tradições, assim tratado. Durante a própria construção, em certas zonas do país, sobretudo nortenhas, ainda se usam determinados sinais protectores, para que esta corra sem incidentes, protegida de maus-olhados ou malquerenças. (…) Os pescadores do centro e sul do país chamam cara do barco à zona da proa, de um e outro lado do casco, zona, normalmente destacada por pintura a cor diferente e guarnecida, tantas vezes, com a imagem de olhos. O barco com olhos veria melhor o caminho, em dias de nevoeiro e encontraria mais facilmente os bons pesqueiros? (…). O significado dos olhos, ainda que estes, no imediato, com feição mais restrita de amuletos contra o mau-olhado, não pode dissociar-se da sacralização do barco pela sua consagração a uma divindade. Do antigo Egipto, adoptaram-no os fenícios, os gregos, os romanos e, assim por diante, até os portugueses, em cujas embarcações o encontramos ainda.»
in http://marintimidades.blogspot.com/2010/03/signos-pictoricos-nos-barcos-i.html


picado da net

proa do caíque Bom Sucesso - picado da net

Presumo que esta representação pró-antropomórfica do Olho de Hórus conheceu uma evolução estilizada pela mão dos árabes, a partir do estabelecimento do Islão, já que esta religião proíbe a representação antropomórfica das divindades. Aceitando essa hipótese, não parece descabido que tenham adoptado o símbolo como “olho de Alá” fazendo-o representar através de figuras geométricas que consistiriam, basicamente, num círculo ladeado por dois triângulos.

foto do autor

foto do autor

galeão do sal picado de: http://www.sal.pt/m9_cruzeiros/cruzeiros_p_sado_galeao_idadedeouro.shtml


O símbolo apotropaico aposto nas proas dos barcos de pesca irá, assim, manter-se, e até repetir-se, nos casos em que surge simultaneamente estilizado por geometrismos e pela representação pró-antropomórfica, comummente com a primeira representação mais acima, perto da borda e a segunda mais abaixo, na cara do barco; ou quando se repete exclusivamente com recurso aos motivos geométricos (losangos em cima, estrela em baixo)


picado de: https://pt.123rf.com/photo_43535824_fishing-boats-on-the-beach-algarve-portugal.html?fromid=SW9VbHdvTk1VS2hFMWxFVCtmdnRBQT09

lancha da xávega da Meia Praia - foto do autor


Intuo também que essa estilização conheceu novas evoluções, para estrelas, estrelas dentro de círculos, losangos, flores, olhos de peixe, sempre apostos à proa, a par de ganhar também novos significados religiosos ou pagãos. Assumpção que, no entanto, carece de investigação que a confirme.

foto do autor

picado de: https://www.colourbox.com/image/portuguese-traditional-boat-in-tavira-close-up-image-17651202

foto do autor

picado de: https://www.alamy.com/stock-photo/portugal-algarve-albufeira-fishermans-beach.html

foto do autor

foto do autor


Afigurando-se, hoje, a sua aplicação mais como simples motivos decorativos e até folclóricos, o facto é que estes símbolos mantém intactas as suas formas e algum do seu simbolismo apotropaico inicial: Protecção contra o mau-olhado e a má sorte; protecção no regresso a bom porto; guia para bons pesqueiros; etc.

foto do autor

Muleta do Seixal - imagem de: https://www.pinterest.pt/pin/389772542744213689/

«A nau “Frol de la Mar”, de Estevão da Gama, da rota da Índia em 1502, a mesma nau onde Afonso de Albuquerque viria a naufragar quando regressava da conquista de Malaca, era “alterosa em castelos e a mais formidável”, segundo consta do “Livro das Armadas”. Embora o desconhecido autor desse códice se movesse dentro da órbita dos iluminadores e portulanos das cartas de marear da época – as reproduções dos navios eram decalcadas sobre uma escassa dezena de modelos, modificando-se-lhe apenas os nomes  -  verifica-se no entanto haver em uma das reproduções da “Flor do Mar” dois olhos abertos  e pintados nas obras mortas em cada um dos costados do castelo da proa. Ora este símbolo apotropaico, apesar da sua vulgaridade figurativa – não consta em outras gravuras ou desenhos conhecidos das naus e caravelas portuguesas dos séc. XV e XVI, mas aparece ainda hoje frequentemente em identica composição e disposição nos barcos de pesca da nossa orla maritima e na rede fluvial, tanto nos saveiros da Costa Nova (Ílhavo), como em Sines, tanto nos caíques da Costa da Caparica, da Nazaré e do Garbe lusitano, como nas fragatas, faluas e varinas do Tejo.»
Jorge Filgueiras, Lisboa, aos 14 de Fevereiro de 1977.

Nau Frol de la Mar - imagem de: http://olhar-aeminium.blogspot.com/2017/01/a-bordo-da-nau-frol-de-la-mar-pelo.html



ADASTRA em Lagos


Propriedade de um casal de milionários, o impressionante iate ADASTRA, desenhado pelo inglês John Shuttleworth, custou 15 milhões de libras. Pode ser totalmente controlado por iPad até 50 metros de distância. Foi lançado ao mar, na China, em 11 de Abril de 2012. Resultado de uma atenção meticulosa aos detalhes aliados a um design inovador para criar um iate que responda às necessidades de viajantes oceânicos, reúne conforto e estilo fora do vulgar num iate desta classe e tamanho. Nenhum esforço foi poupado no desafio de produzir um belo iate com um consumo de combustível excepcionalmente baixo. Em 2013, este iate já tinha percorrido mais de 40.000 milhas, resistindo a ventos de 50 nós e atravessado os oceanos Pacífico e Atlântico. Comprimento:  42,5 m. Largura: 16m. Peso 52 Ton. Velocidade de Cruzeiro, entre 10 e 14 nós. Velocidade máxima de 22 nós.


Aspectos do ADASTRA na Meia Praia (Lagos) em 2018.05.31



ADASTRA na Baía de Lagos em 2018.06.01


No país em que tudo arde...



No país em que tudo arde as perspectivas não são boas, com esta campanha petrolífera. A possibilidade do Algarve sair directamente lesado desta aventura assaz irresponsável, é enorme, e o problema de incêndios acidentais nas plataformas nem é o mais expressivo. A proliferação de falhas geológicas aliada à dinâmica natural das placas constitui um risco muito sério. E face às evidências e à forte dependência do turismo de Sol e Praia, esta problemática não pode ser abordada com facilitismos administrativos.
Há assuntos que pela sua gravidade deviam ser tratados de forma muito séria, com informação e explicação à população dos prós e contras, das fragilidades e dos riscos envolvidos e, consequentemente, com realização de um referendo. O espírito da Democracia não se coaduna com decisões tomadas pelos eleitos no secretismo dos gabinetes, quando as consequências dos seus actos (dos quais nunca são responsabilizados), afectam o todo nacional, e por mais de uma geração.
Mas é o que temos, um fraco povo e medíocres dirigentes.

Exemplos do que não gostaríamos de ver na costa portuguesa, mas que não poderemos garantir que não aconteça: