arte na marina

foto: organização da exposição

Visitei esta tarde uma pequena exposição de pintura na Marina de Lagos. Uma amostra de arte despretensiosa que na sua simplicidade e beleza se posiciona a anos-luz de muitas outras actualmente em exibição em renomadas galerias e conhecidos centros, ditos, culturais, que nos presenteiam com catadupas de lixo que a petulância dos autores e dos críticos proclama como arte contemporânea.
“Ó mar salgado…” é o adequado título desta colecção de 20 óleos da autoria de José Fortunato. São pequenas telas cheias de cor, luz e mar que, de início, me fizeram lembrar a temática das marinhas explorada pelos pintores holandeses do séc. XVII (Simon de Vlieger, Jan Van Goyen p. ex.). E se o autor não alcança a perfeição dos mestres seiscentistas no domínio das formas, ganha pela imprecisão da sua espátula que o aproxima dos impressionistas pois como eles subjuga esse rigor à liberdade das formas que representam os barcos, a espuma das ondas, os rochedos, e as cambiantes rubras do céu no ocaso do astro-rei.
Que distância tremenda, entre esta arte perceptível, partilhável e agradável e as porcarias de custo astronómico que o programa Allgarve tão ridiculamente apresenta anualmente.

«José Fortunato é autodidacta e desde cedo pintou a pastel, tendo-se iniciado na pintura a óleo em 1997. O mar, o campo e as tradições são as suas principais inspirações.
As receitas desta exposição reverterão integralmente a favor do CASLAS – Centro de Assistência Social Lucinda Anino dos Santos, uma IPSS local.»
Patente ao público de Terça-feira a Domingo, entre as 17h00 e as 21h00, na Galeria Marina de Lagos.

 Uma outra pintura de José Fortunato, leiloada na cerimónia de entrega
de prémios da XXII Regata Portos dos Descobrimentos (10 Jul. 2011)
cujo valor reverteu também para apoio social local

1 comentário:

Maria, Simplesmente disse...

Gosto deste quadro!
Olhando para ele, lembro-me dum passeio de traineira que há muitos anos fiz com amigos meus, de Lagos a Sagres.
O mar estava "chão"...! Mas não imagina o medo que tive no regresso, em que ao olhar as ondas as via cavadas parecendo-me ver o fundo e depois derramarem-se sobre o convés. Via a água da cor do mar deste quadro.
Mas valeu a pena. Além da bela caldeirada (não podia faltar...) feita pelos pescadores a bordo, hoje tenho a recordação da beleza da Costa algarvia, da cor da água até à Ponta da Piedade, e de tanta coisa mais...!
É bom ter recordações assim.
Continuação de boa semana.