seria marinheiro brasileiro?

É um postal registado no princípio do século XX na Rua Direita da cidade de Lagos. A bandeira sobre o esquife do defunto marinheiro não consegue esclarecer inequivocamente qual a nacionalidade deste corpo de marinheiros que aqui se despede do seu camarada. Talvez a farda, especialmente o peculiar chapéu que usam, possa revelar a misteriosa nacionalidade?!
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- Coleccionador local indica o ano de 1903 para a data da imagem.Trata-se efectivamente do funeral de um marinheiro inglês. Fica por esclarecer a bandeira. Será bandeira de funeral ou a bandeira da esquadra do mediterrâneo?

4 comentários:

Carlos Daróz disse...

Caro Francisco,
Em atenção à sua postagem em meu Blog, analisei a fotografia e pude verificar o seguinte:
- a bandeira sobre o caixão é inequivocadamente a do Brasil, adotada após a proclamação da República em 1889, o que corresponde à data da foto.
- o uniforme, especialmente em função do chapéu, parece ser da Marinha Real britânica, que utilizava cobertura desse tipo em seus uniformes tropicais desde a metade do século XIX. Tenho aqui uma gravura mostrando um marinheiro inglês utilizando essa farda. Se tiver interesse em recebê-la, favor informar seu e-mail.
- os fuzis dos marinhjeiros que vão a frente do caixão, embora parcialmente encobertos, parecem ser do modelo Enfield, britânico.
Logo, parece que a cena retrata o funeral de um brasileiro (marinheiro ou não), com uma guarda de honra da Marinha Real britânica.
Continuarei pesquisando, se surgir alguma novidade, entro em contato.
Um abraço,
Carlos Daróz - Professor e historiador

francisco disse...

Caro Professor Carlos Daróz.

Agradeço a pronta e assertiva resposta. Seguindo a sua orientação pesquisei imagens de uniformes da Marinha Real Britânica e confirmei esse facto. Na realidade, a minha primeira reacção perante a foto deste funeral foi a de se tratar da marinha inglesa. Porém, ao deparar com um chapéu de tipo tropical fiquei na dúvida – por desconhecimento da sua adopção pela Royal Navy. Dúvida que se viria a acentuar ao constatar a impossibilidade de se tratar da bandeira britânica sobre o esquife. E sendo a bandeira do Brasil - pois que assim parece ser mesmo -, estamos perante uma situação um pouco estranha, não?

(mensagem completa via e-mail)

Grato pelo contributo
Votos de um Bom Ano 2011


Francisco Castelo
Fotógrafo

Francisco Lumière disse...

Lembro-me de uma estória que o meu pai me contou: depois de terem cá chegado os navios da esquadra inglesa (quase todos aliás). No primeiro quartel do século passado. houve alguns marujos de sua Majestade Grambretöua que tentaram armar-se em parvos e foram desta para melhor. Talvez esta seja a cerimonia de semear um inglês a que o meu pai se referia... quem sabe?

francisco disse...

Zé Francisco, as escaramuças entre marinhagem e anfitriões destas enormes esquadras eram frequentes e lembro-me de algumas nos anos 70, portanto, nada de estranhar. Porém, encontrei referências a vários acidentes mortais ocorridos a bordo, quer durante os exercícios navais quer mesmo em períodos de pausa/descanso das tripulações. Mais ou menos por esta altura morreu afogado, e foi enterrado em Portimão, um jovem marinheiro britânico de 20 anos, que terá sido apanhado desprevenido por algum aparelho em manobra (cabo, retranca - que os navios eram a vapor mas tinham mastros-, etc.. Portanto, a causa da morte podia ter sido qualquer uma destas.
O mais que encontrei, até ao momento, foi a referência de um dos marinheiros que vai ali naquele funeral, prestando homenagem aos eu camarada. Por sinal também ele morreria, jovem, no ano seguinte (1904), em Malta.
Não conheço os rácios de mortalidade na Royal Navy para este período mas acredito que a manutenção da hegemonia do poderio naval tinha um elevado custo humano.

Abraço.